Foto: Oliveira Wanderley
A situação da saúde pública no Rio Grande do Norte que tantos espaços ocupou nas sessões ordinárias deste ano, voltou ontem num debate em plenário entre os secretários da Saúde, George Antunes, e o de Planejamento e Finanças, Wagner Araújo. Na base do debate o financiamento do setor de saúde.A primeira exposição foi feita por Wagner Araújo. Com base em dados estatísticos ele disse que o Brasil é o país do mundo que menos investe por pessoa em saúde. Segundo o secretário, o SUS ficou com a municipalização da saúde apenas na parte financeira, ficando o atendimento com o Estado.
Vagner declarou que no início do atual governo o investimento do Estado na saúde era de 200 milhões de reais e que em 2009 vai para um bilhão. "O Rio Grande do Norte é o campeão no Nordeste em valor aplicado por habitante-ano. O SUS fica apenas com 23,6 por cento do que é gasto com Saúde", afirmou o titular da pasta do Planejamento.
O secretário de Saúde, George Antunes, seguiu a mesma linha de raciocínio de Vagner, destacando a inversão no financiamento da saúde pelo SUS. “O percentual da União vem sendo reduzido. Fica uma indagação: até quando o Estado agüenta essa evolução nos gastos da saúde? Temos que discutir o sistema como um todo. Não tem governo que agüente", bradou o secretário de Saúde.
Debates - Aberto o debate com os deputados, José Dias, líder do PMDB, estranhou as opiniões coincidentes dos dois secretários. "As opiniões são mais coincidentes do que o que se viu pela televisão, nos jornais e o que se ouviu no rádio. Os inúmeros processos na Justiça mostram os desserviços no setor de saúde. O Estado tem obrigação de liberar os recursos na hora da entrega dos medicamentos e material pelos fornecedores”, disparou Dias.
O deputado Wober Júnior(PPS), autor do pedido de convocação dos secretários, disse que tinha ficado preocupado com o sistema gerencial abordado pelo secretário de Saúde. Disse que a crise do desabastecimento na saúde é grave, o mesmo acontecendo com equipamentos, por causa do atraso no pagamento aos fornecedores. "Essas são questões que os senhores precisam encontrar soluções. O secretário está há muito tempo no governo e conhece a fundo o sistema de saúde. Tem que apresentar soluções", enfatizou Wober.
Getúlio Rêgo, líder do DEM, disse que a saúde é sagrada para a população e que o gestor deveria ter autonomia para resolver os casos emergenciais. Sugeriu que o governo envie para a Assembléia Legislativa um projeto dando essa condição ao secretário de Saúde.
Já o deputado Álvaro Dias(PDT) disse que o governo deveria descentralizar o atendimento que é feito no Walfredo Gurgel em unidade de pronto atendimento em bairros pólos, com medicamentos de urgência.



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