A cúpula do PT prevê dias difíceis para Dilma Rousseff no Congresso. Estima que o acúmulo de contenciosos deve resultar em tempestade nos dois últimos anos de mandato.
Hoje, PT e PMDB dividem o comando do Congresso. Marco Maia (PT-RS) na Câmara. José Sarney (PMDB-AP) no Senado. A partir de 2013, desaparecerá o equilíbrio.
O PMDB deve dar as cartas nas duas Casas legislativas. Na Câmara, um acordo escrito abre espaço para a eleição do líder pemedebê Henrique Eduardo Alves para o biênio 2013-2014.
No Senado, Sarney não poderá disputar sua pentapresidência. Mas o regimento assegura a vaga ao PMDB, dono da maior bancada.
Sem alarde, move-se em direção à cadeira o líder Renan Calheiros (PMDB-AL). O mesmo Renan que renunciou ao posto, em 2007, para salvar o mandato.
No Congresso, um presidente não pode tudo. Mas pode muito. Inclui e exclui projetos na pauta. Indica relatores. Interpreta o regimento. Se quiser, ajuda o governo. Se preferir, inferniza-o.
Em conversa com o repórter, uma liderança do PT fez piada sobre a perspectiva de um ocaso de Dilma sob jugo do PMDB. Algo que considera trágico.
Brincou: hoje, se algo acontecesse com Dilma, seria preciso ordenar à segurança do Planalto que desse cabo do vice. Michel Temer na Presidência seria “impensável”.
Prosseguiu: A eleição de Henrique para dirigir a Câmara e Renan para o Senado –o que os coloca em terceiro e quarto lugar na linha sucessória— torna a medida impraticável.
Impedido aquele que o petismo considera “impensável”, assumiria o “inaceitável”, cujo sucessor direto seria o “absurdo”.
O líder petista arrematou o chiste: Em vez de uma solitária medida radical, seria necessário produzir um massacre. “Talvez seja mais fácil a gente se suicidar.”
Sob a pilhéria esconde-se o pânico do petismo. Avalia-se que, em escassos oito meses de gestão, Dilma converteu uma maioria congressual sólida em apoio volátil.
A encrenca foi insinuada na lista de apoios à CPI urdida pela oposição no Senado. Embora em franca minoria, os rivais do governo lograram recolher as 27 assinaturas exigidas.
O Planalto viu-se compelido a acionar sua infantaria para arrancar duas rubricas do requerimento. Algo inimaginável para um governo em início de jornada.
Dissemina-se no PT a avaliação de que há um déficit de política na Presidência da República.
Num primeiro momento, o problema espantou as legendas que integram o condomínio governista. O espanto evolui para a irritação, num movimento que costuma desaguar em conspiração.
No momento, Dilma é vista por um pedaço expressivo do seu bloco partidário como uma presidente de mandato único.
Considerando-se o raciocínio atribuído à raposa mineira Magalhaes Pinto –“política é como nuvem...”— ela pode impor a recandidatura pelo eventual êxito administrativo.
Porém, a aposta que parte dos “aliados” faz é a de que os ventos que sopram dos EUA e da Europa tendem a empurrar a nuvem-Dilma para longe do segundo mandato.
A associação da atmosfera de crise econômica com o estilo político “tempestuoso” da presidente fez de 2014 uma porta escancarada para a dúvida.
No dizer de um dirigente do PMDB, a relação do partido com Lula era baseada em interesse político e na “benquerença” que o ex-presidente inspirava.
Com Dilma, declarou, desapareceu a “afeição”. A relação sustenta-se apenas em "frágeis" liames de conveniência.
Retomando-se a analogia da nuvem: hoje, você olha e vê um formato que torna a resolução drástica inconveniente. Amanhã, olha de novo e a forma pode ser outra.
Fonte: Blog do Josias de Souza



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