A Associação de Magistrados do Rio Grande do Norte(AMARN) divulgou nota de pesar pela morte da juíza Patrícia Acioli, ocorrida no início da madrugada desta sexta-feira(12) em Niterói, no Rio de Janeiro.
A juíza Patrícia Acioli foi assassinada no início da madrugada desta sexta-feira quando acabava de chegar em casa na rua dos Corais, em Niterói. Segundo testemunhas, homens encapuzados que estavam em dois carros e duas motos efetuaram os disparos antes mesmo que ela saísse do seu carro, um Fiat Idea.
Única a julgar processos de homicídios em São Gonçalo, a juíza era conhecida por uma atuação rigorosa contra a ação de grupos de extermínio naquela região do Estado.
Confira a nota de pesar da AMARN:
- AMARN, vem a público manifestar seu extremo pesar pelo assassinato da Juíza Patrícia Acioli, ocorrida na madrugada desta sexta-feira, dia 12, no município de Niterói (RJ).
A magistratura do Rio Grande do Norte se solidariza com a família de Patrícia Acioli e com a sociedade do Rio de Janeiro, diante deste ato bárbaro, cometido em represália à atuação de uma juíza comprometida com a realização da justiça e com a punição de crimes graves.
A segurança dos magistrados, encarregados da proteção da sociedade contra a criminalidade pode e deve ser prioridade do Poder Público. Os Juízes e Desembargadores do Rio Grande do Norte esperam uma apuração rápida e eficiente desse crime e punição rigorosa dos responsáveis.
Juiz Azevêdo Hamilton Cartaxo
Presidente da AMARN
Decisões judiciais
A juíza Patrícia Acioli(foto) tinha várias decisões judiciais contra policiais militares em seu currículo. Ela era responsável por julgar casos de homicídio no segundo município mais populoso do Estado do Rio, inclusive os casos de autos de resistência, isto é, mortes provocadas pela polícia supostamente em confronto com o suspeito.
Segundo o presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), Manoel Alberto Rebelo dos Santos, ela havia recebido várias ameaças de morte.
Entre algumas decisões de Patrícia, está a prisão de policiais militares de São Gonçalo que sequestravam traficantes e, mesmo depois de matá-los, entravam em contato com familiares e comparsas exigindo dinheiro para soltura.
Em setembro de 2010, a magistrada determinou a prisão de quatro policiais militares de Niterói e São Gonçalo, acusados de integrar um grupo de extermínio na região. Em janeiro deste ano, ela também decretou a prisão de seis policiais acusados de forjar autos de resistência.
Na última terça-feira (9), a juíza condenou o oficial da Polícia Militar Carlos Henrique Figueiredo Pereira a um ano e quatro meses de detenção, em regime aberto, pela morte do jovem Oldemar Pablo Escola Faria, de 17 anos, em setembro de 2008.
O nome da magistrada também estava em uma "lista negra" feita pelo criminoso Wanderson Silva Tavares, o "Gordinho", preso no Espírito Santo em janeiro deste ano e chefe da quadrilha de extermínio que agia em São Gonçalo e teria assassinado pelo menos 15 pessoas em três anos.
"Não tenho medo de ameaça"
Em setembro do ano passado, em entrevista ao jornal "O Globo", a juíza afirmou que não tinha medo de decretar prisões.
"Não tenho medo de ameaça. Quem quer fazer algo vai e faz, não fica ameaçando. Ninguém morre antes da hora. Sei que, no imaginário popular, a juíza é quem faz tudo, mas é a polícia que investiga, são os promotores que fazem a denúncia e é o júri que julga", afirmou na época, tentando explicar a fama de durona que tinha na cidade.




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