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3 de fev. de 2011

A íntegra do discurso do senador Paulo Davim


Confira na íntegra o pronunciamento do senador Paulo Davim:

Senhor Presidente:
Senhoras e Senhores Senadores,

Nesta hora ofereço a Deus minha gratidão e a Ele peço proteção.

Chego ao Senado pela democracia, essa fabulosa estrada capaz de igualar os homens nos mesmos trilhos, independente dos seus ideais. Por ela estou aqui.

Cá estou também pelo Rio Grande do Norte, vim para servir, vim para lutar. Tenho com nitidez a percepção da honraria e também a dimensão da responsabilidade.

Assumo a cadeira do maior homem público do RN. Um homem que é a imagem e semelhança do mais simples homem do recanto mais distante da minha terra: Garibaldi Alves Filho, ministro de Estado da Previdência Social e um ser humano de grandeza indescritível, de humildade perene como a de um rio limpo, por isso é amado e consagrado pelo povo.

Garibaldi ensina que o poder não significa o autoritarismo do forte sobre o fraco, mas a irmandade baseada na confiança dos simples que escolhem seus intérpretes entre os iguais.

Senhor Presidente:
Senhoras e Senhores Senadores,

É hora de, com satisfação, me dirigir aos meus colegas de bancada com quem haverei de aprender, e muito, pelo que de bom todos haverão de me ensinar numa interação solidária.

Uma palavra especial ao senador José Agripino. Um homem que dignifica o meu Estado pela coragem, pelo brilho incomum de sua oratória e por sua biografia. Um nome nacional, uma palavra de peso e inteligência nas discussões que engrandecem e dão feições democráticas a esta casa.

Digo ao senador Garibaldi Alves que ele é a prova viva que o DNA existe na política. Sua experiência de deputado estadual, de vice-governador do Estado, de homem cassado nos dias arbitrários da repressão, será de extrema importância nos debates sobre o Brasil, o Nordeste e o Rio Grande do Norte.

No senador Garibaldi Alves encontrarei serenidade e experiência, valores fundamentais para quem trilha os caminhos duros e, muitas vezes injustos da política.

Pertenço ao Partido Verde e com extremo orgulho dedico este momento de posse a todos os companheiros de partido no meu Estado e no Brasil. À prefeita de Natal Micarla de Souza, me coloco como lutador incansável pelas demandas incessantes da primeira capital governada pelos Verdes.

À Marina Silva, minha líder maior, que demonstra numa versão de leveza o que disse Che Guevara: “a ternura jamais será vencida pela força bruta”. No seu estilo dócil, angelical e moderado, existe uma fortaleza de dignidade humana a quem saberei corresponder como único representante do Partido no senado.

Darei segmento às suas lutas, pois também são minhas. Acredito na coexistência respeitosa entre desenvolvimento e meio ambiente. E me é impossível acreditar que exista sociedade avançada agredindo o meio ambiente. Aqui nesta Casa pretendo alargar e aprofundar os debates sobre a revisão do Código Florestal, da necessária proteção aos nossos mananciais e outros temas caros à nossa bandeira.


Senhor Presidente:
Senhoras e Senhores Senadores,

O mandato que exercerei será calcado nas bases do menino que saiu da pequena Afonso Bezerra, área mais seca do Sertão Potiguar, que estudou toda a vida em escolas públicas e passou por muitas dificuldades para atingir seus objetivos. Situações essas que não me deixaram más lembranças. Muito pelo contrário, deixaram-me a plenitude de uma grande herança, além de estímulo e altivez para seguir caminhando.

Faço parte das estatísticas subvertidas que contrariam a regra de que o humilde jamais passará de um pedaço de multidão silenciosa e anônima.

A condição de médico me apresentou, sem retoques, à grave chaga social que é a saúde pública do País. Conheço de perto, de vivenciar no dia-a-dia, o drama revoltante de quem busca, sofre e chora pela vida. Já não suporto mais ouvir os gemidos dos corredores frios, cheios de dor e vazios de esperança.

Acredito no SUS e defendo a sua efetiva implantação. Contudo, sinto ser necessário um debate mais amplo sobre temas vitais à viabilidade do sistema, como por exemplo, o seu financiamento, a regulamentação da emenda 29, o aprimoramento de programas, a carreira de Estado e a remuneração. Precisamos entender que o profissional da saúde lida com o valor absoluto de cada um, que é a vida, não podendo exercer o seu papel com as mãos trêmulas de ansiedade e incerteza. Não é justo para a sociedade.

Eu vivo a minha atividade profissional no redemoinho da tragédia noticiada todos os dias, durante ininterruptos anos, pela imprensa livre deste País. Vejo no Rio Grande do Norte a mortalidade materna atingir índices alarmantes. São 60 mortes para cada 100 mil nascimentos, três vezes mais do que preconiza a Organização Mundial de Saúde (ODM). Seja no papel ou no discurso o dado é chocante. Avaliem os senhores e as senhoras, quando estes números representam a dor na vida real; é doloroso narrar um quadro assim, mais doloroso ainda é saber que a saúde pública do meu Estado padece há anos de um total desprezo, abandono e sem elevação moral ou estatura pública.

O déficit de leitos hospitalares e de UTI’s é um algoz impiedoso que ceifa milhares de vidas. Na sua maioria ainda no viço dos verdes anos da juventude. E isso é trágico, isso é triste e isso precisa mudar.

Mas não pretendo me perder em relatos cansativos. Na saúde é preciso ação, para ontem. Daí, caros colegas, expressar a minha mais absoluta confiança na Presidente da República, Dilma Roussef, de cuja base de apoio faço parte.

Dilma tem na sua tradição pessoal de luta e na sua capacidade incansável de administradora, os alicerces para consolidar um mandato voltado para os melhores anseios populares.

Dilma, reafirmo, vem da luta. E quem vem da luta, vem das ruas, vem das escolas, dos hospitais, da agricultura, das fábricas, do comércio, da iniciativa privada, dos vários pulmões que oxigenam o Brasil. Desejo à presidente todo o êxito possível para que consiga colocar em prática o programa de governo que apresentou na campanha eleitoral, colocando-me a disposição para apoiá-la, especialmente no que se refere à Saúde.

O momento é de me apresentar para o trabalho. Estou pronto e com coragem para enfrentar o maior desafio da minha vida.

Lembro da minha infância. Do drama dos homens do campo nascidos para combater a vida desigual. Neles, me inspiro. Lembro dos meus pais, Pedro e Eunice que com sacrifício me levaram ao caminho do bem. Neles me inspiro. Lembro da minha família, minha esposa, Sânzia, meus Filhos: Ana Paula e Gabriel, minha razão de viver, meu testemunho de amor, minha motivação para fazer pelo próximo o bem que eu puder tirar do peito e da minha resistência física. Neles, me inspiro.

Faço-me irmão de todos os homens simples que transpõem os caminhos teoricamente impossíveis, as portas ditas indevassáveis.

Penso como o médico e filósofo José Normanha: “quero fazer hoje algo de bom, não importa que amanhã seja apenas a síntese do que sou. Não importa que pés ignorados venham pisar esse cérebro que pensou, esse coração que amou. Já serei pó e o pó não pensa, não ama e muito menos se inquieta com a ingratidão.”

Vim para lutar, vim para servir, vim pelo Rio Grande do Norte.

Obrigado.

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