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1 de mai. de 2010

Parabéns, Rádio Rural de Caicó!

Hoje é o Dia do Trabalho e data da comemoração dos 47 anos da Emissora de Educação Rural de Caicó.

Trabalhei na Rural no início de minha carreira como profissional de comunicação.
Foi uma escola.

Faço minhas as bem escritas palavras do amigo, colega de profissão, com quem tive a honra de trabalhar na Rádio Rural: Roberto Fontes.

Eis o artigo que ele escreveu sobre a nossa querida Rural de Caicó:

Eu trabalhei na Rádio Rural

- Estamos precisando de um Plantão Esportivo. Quer assumir? Não tem salário, mas você recebe a carteira da Rádio.

O convite partiu de Clóvis Pereira Júnior, o Pituleira, meu irmão e narrador da equipe esportiva da Rádio Rural de Caicó.

Topei na hora.

Meu sonho de menino estava começando a virar realidade: trabalhar na Rádio Rural de Caicó!

Só tinha um problema.

Aliás, dois: o Plantão Esportivo trabalhava na cabine da emissora, longe do estádio.
Ouvia os jogos dos campeonatos estaduais – principalmente o Carioca – e entrava no ar para dar os resultados a cada 5 minutos.

Para um corintiano fanático como eu, era muito difícil não ver os jogos do Galo ao vivo no velho estádio José Avelino.

O segundo problema, mais grave, era o nervosismo de falar naquele microfone que levava as vozes de celebridades como Getúlio Costa, Chico Tomaz, Orlando Rodrigues, Batista Filho, Neto Damásio, D. Manoel Tavares de Araújo, padre Tércio, padre Antenor, Aldo Ayres, Pedro Neto e outros, a milhares de pessoas espalhadas pelo Seridó do Rio Grande do Norte, parte da Paraíba e até de alguns rincões de Pernambuco.

Sabe o nervosismo de um noivo no altar ou de um artista no momento de subir ao palco para fazer o seu show?

Foi assim que eu me senti ao abrir a minha primeira jornada esportiva na “Voz do Povo”.

O desejo de trabalhar na Rural foi praticamente uma imposição genética.
Meu bisavô, João Victoriano de Fontes, foi o primeiro jornalista da família, fundador e editor do jornal O Seridó no começo do século passado.

Um tronco da terceira geração de descendentes dele é todo de jornalistas: eu e meus irmãos Pituleira e Anna Karlla Fontes.

Era destino trabalhar lá.

Minha estréia foi num domingo de 1976 e durante 17 anos vivi na Rádio Rural uma das fases mais importantes da minha vida, tanto do ponto de vista profissional quanto pessoal.

Fiz jornalismo, apresentei shows, dei furos de reportagem, cobri eleições, realizei centenas de entrevistas, fiz amigos, participei das campanhas populares pela Anistia, fim da Ditadura e Diretas Já.

Transmiti procissões com milhares de devotos de Sant’Ana nas ruas e me emocionei com a religiosidade do povo.

Ao longo destes 47 anos de vida, a Rural enfrentou e denunciou a ditadura, introduziu a alfabetização pelo rádio com o Movimento de Educação de Base e abriu espaço à cultura popular com os Violeiros do Seridó, o Forró pela Rural e a Rural na Quadrilha.

Foi pioneira na discussão da condição feminina com o programa Mulher Sertão e no tratamento mais humano dos portadores de transtornos mentais com o Porque Hoje É Sábado.

Nas campanhas eleitorais, por sua absoluta imparcialidade, desagradava a todos os candidatos, mas favorecia o debate de idéias e projetos de interesse coletivo. A Rural uniu o interior do Rio Grande do Norte e da Paraíba com o concurso A Mais Bela Voz do Sertão.

Ser da Rádio Rural, nas décadas de 1970 a 1990 equivalia, em prestígio, a ser da Globo hoje: o Jornal Falado Rural reunia as famílias na hora do almoço para ouvir as últimas notícias da região e do mundo.

Era uma espécie de Jornal Nacional, só que ao meio-dia.

Simultaneamente à difusão dos fatos do mundo real, ela sempre divulgou a Palavra de Deus.

A união da sua dimensão social e cristã resultou nesta emissora diferente, campeã de audiência e credibilidade.

Foi neste ambiente efervescente, plural e democrático que vivi 17 anos de minha vida.
Hoje, alegre e emocionado pelo seu 47º aniversário, mando um abraço afetuoso a todos os seus diretores e funcionários que continuam perseguindo o sonho de fazer um mundo melhor através do rádio.

Só posso agradecer a Deus a oportunidade de fazer parte desta história.

E digo, com o maior orgulho: eu trabalhei na Rádio Rural.

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