A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura o desaparecimento de crianças e adolescentes no Brasil realizou audiência pública nesta sexta-feira,(04) na Assembleia Legislativa, com o objetivo de discutir políticas públicas para encontrar formas de combater o desaparecimento de crianças no Estado.
A audiência teve como mediadora a deputada Bel Mesquita (PA) que também preside a CPI. Os deputados Antônio Carlos Chamariz (AL), Geraldo Pudim (RJ), Emília Fernandes (RS) e as deputadas potiguares Sandra Rosado e Fátima Bezerra também fizeram parte da mesa.
De acordo com a deputada Bel Mesquita, a CPI tem como finalidade investigar as causas e os responsáveis pelo sumiço de crianças e adolescentes no Brasil e de levantar todos os dados para que as causas e conseqüências possam ser apuradas.
A Comissão vem realizando audiências públicas em vários Estados.
Segundo a deputada Fátima Bezerra, que também integra a CPI, a audiência é fundamental para que sejam levantados os dados referentes ao RN. “Esta CPI é de extrema importância para o nosso Estado. O caso mais emblemático é o do Planalto, que até hoje não teve nenhuma solução. O que mais nos preocupa são os números. De acordo com a Secretaria de Segurança, mais de 80 crianças estão desaparecidas”, disse Fátima.
Durante a audiência, a presidente da CPI pediu aos parentes das crianças desaparecidas que prestassem seus depoimentos. Francisca da Silva, mãe de Moisés Alves da Silva, falou sobre o dia em que o filho desapareceu, no ano de 1998: “Era madrugada de um domingo, meu esposo acordou e meu filho não estava mais lá. Já se passaram mais de 10 anos e meu filho nunca mais voltou. Não tenho mais alegria para nada. Mas a minha esperança de encontrar ele nunca morreu”, narrou ela.
Além de Francisca da Silva(foto chorando), a audiência da CPI ouviu as famílias de mais quatro crianças desaparecidas no bairro do Planalto. Também prestaram depoimento, os familiares de Joseane Pereira da Silva, de oito anos, que sumiu no ano de 1999; os parentes do menino Yuri Tomé Ribeiro, de dois anos, que desapareceu em 2000; os pais de Gilson Enedino da Silva, de cinco anos e pai e mãe de Marília da Silva Gomes, de dois anos, que foi retirada de um barraco de papelão, durante a madrugada, em 2001.
A mãe de Moisés disse ainda que a CPI é uma esperança de encontrar o filho. “Esta audiência é uma esperança para as famílias que assim como a minha, sofrem com esse problema. Infelizmente até hoje não tenho nenhuma informação sobre o paradeiro do meu filho”, disse Francisca da Silva.
Na opinião do presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, Marcos Dionísio, o Rio Grande do Norte, a exemplo do que ocorre no restante do país, não possui números precisos sobre esta questão. “Acredito que a instalação da comissão abrirá portas para discussões com entidades com o objetivo de encontrar formas de organizar e sistematizar a busca pelos desaparecidos”, declarou Marcos Dionísio.
A deputada Sandra Rosado, vice-presidente da CPI, disse que o pior é o destino dessas crianças. “São vários os motivos do desaparecimento, cada um mais terrível que o outro. É tráfico de pessoas, exploração sexual e até para a retirada de órgãos. Isso é um fato terrível e doloroso”, enfatizou Sandra.
E acrescentou: “A CPI já visitou vários Estados, já ouviu várias pessoas e quero dizer que nenhum de nós está livre disso. Famílias estão buscando esses filhos e estamos aqui para ajudar”.
Repórter: Cristianne Leite



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