Fotos: Divulgação
O relator do marco regulatório do pré-sal, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), vai propor que não seja cobrada participação especial na exploração de petróleo na área e fixar uma data, após a eleição do ano que vem, para discutir uma nova distribuição dos royalties.As propostas vão constar do seu relatório, cuja data de votação em plenário deve ocorrer no início de novembro.
A estratégia do peemedebista atende em parte tanto o governo federal como os Estados produtores de petróleo. Lula queria acabar com a participação especial e alterar a divisão dos royalties, mas recuou diante da pressão de Estados como Rio, São Paulo e Espírito Santo, principais produtores do óleo.
O projeto enviado pelo governo federal ao Congresso acabou mantendo o atual sistema de cobrança de participação especial e royalties.
A participação especial é um tributo cobrado sobre a renda líquida do campo de petróleo e rendeu, em 2008, R$ 11,71 bilhões. Do total arrecadado, a União fica com metade. Os Estados ficam com 40%, e os municípios, com 10%.
Já os royalties são cobrados sobre a receita bruta e renderam R$ 10,94 bilhões em 2008. Da arrecadação, 64% dos recursos vão para os Estados e os municípios produtores de petróleo. A União fica com 28%. O restante é dividido com outros Estados e municípios.
Henrique Alves(Foto)já avisou sua intenção ao governo Lula, que concorda com a estratégia dele para aprovar as mudanças na Lei do Petróleo. Para Alves, não há sentido em manter a cobrança da participação especial no modelo de partilha de produção.Em conversas reservadas, o relator tem dito que a participação especial é a própria partilha, sistema pela qual o óleo extraído é dividido entre a União e as empresas que formam o consórcio de exploração.
Na questão da divisão dos royalties, Henrique diz acreditar, porém, que, se ela for feita agora, o projeto do pré-sal ficará travado na Câmara e não será aprovado antes da eleição de 2010.
A fórmula do relator vai agradar mais ao governo federal que aos Estados. Isso porque os Estados, hoje, ficam com 40% da receita da participação especial. Se a ideia de Alves for aprovada, eles perderão o controle direto sobre esses recursos.
O governo rebate dizendo que a receita acabará indo para o Fundo Social, que será capitalizado com a renda do pré-sal, e uma parte dele será distribuída na forma de investimentos nos Estados e nos municípios.
Henrique Alves decidiu ainda manter em seu parecer a Petrobras como operadora única do pré-sal, com uma parcela mínima garantida nos consórcios de 30%.
Inicialmente, ele tinha dúvidas jurídicas sobre a constitucionalidade desses mecanismos, mas foi convencido de que são legais depois de conversar com advogados do governo.
Ele analisa ainda, porém, a possibilidade de flexibilizar a condição da Petrobras de operadora única. Ela manteria esse status, mas poderia ceder a operação a outras empresas em alguns campos.
Reservadamente, a estatal já avisou a Henrique que não se opõe, mas que essa é uma decisão de governo e precisa ter o aval de Dilma Rousseff (Casa Civil) e Edison Lobão (Minas e Energia).
Fonte: Jornal Folha de S.Paulo - Hoje



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