Foto: Oliveira Wanderley
José Agripino admite que Maciel é próximo a seu partido e estranha as declarações do ex-secretário, que chamou de "farsa e factóide" as acusações feitas contra a Petrobras e a ministra Dilma Rousseff.
Confira a entrevista do líder do DEM:
Terra Magazine - Em entrevista a Terra Magazine, o ex-secretário da Receita, Everardo Maciel, diz ser "farsa e factóide" as acusações contra a Petrobras e contra a ministra Dilma Rousseff. Como o senhor, enquanto líder do seu partido, que faz oposição ao governo, enxerga tais avaliações?
Agripino Maia - Nós gostaríamos que as pessoas estabelecessem o contraditório, que fossem à CPI da Petrobras e aos demais fóruns aos quais são convidados para oferecer informações. Mas o governo insiste em negar, não concordam em permitir que as pessoas venham aqui para oferecer tais informações. A opinião de Everardo Maciel, que é respeitável, é apenas uma opinião. Existem outras. Será que em existindo outras, não vale a pena fazer o cotejo entre elas para ver quem está com a razão?
Terra - Everardo Maciel apresentou suas argumentações e, como o senhor mesmo disse, tem uma opinião "respeitável"...
Agripino - Everardo é um técnico. Ele tem vinculações próximas ao DEM, mas ao que me consta, ele não tem filiação, nem tem nenhum alinhamento com o partido. De modo que a opinião dele é técnica porque ele é um técnico. Será que a opinião dele é prevalente? É disso que precisamos: pessoas de diferentes opiniões para chegarmos às conclusões.
Terra - Técnica, contudo ele fez um juízo de valor sobre um assunto que não é tão técnico assim. O ex-secretário se referiu também ao suposto encontro entre a ex-secretária da receita, Lina Vieira, e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff...
Agripino - Eu não sei se ele tem alguma ingerência direta sobre o assunto. Ele é um técnico e emitiu sua opinião. Entre ter uma opinião e ser uma pessoa onde haja conveniência de ser ouvido dentro do assunto, há uma diferença, há uma distância. Os membros da CPI é que farão essa avaliação.
Terra - Volto ao tema da pergunta anterior, o fato de Everardo ter proximidades políticas ao partido do senhor, ter opiniões contrárias e ser um técnico no assunto, não coloca em xeque algumas verdades?
Agripino - É a opinião dele, que é técnica. A opinião dele é técnica e não abrange a conotação política que o Brasil todo está interessado em esclarecer.
Terra - Para o ex-secretário Everardo, "o pano de fundo era a sobrevivência política de uma facção sindical dentro da Receita"...
Agripino - Não entra nisso, não. Essa história das demissões veio em um segundo momento. No primeiro momento, o que temos são as suposições que nasceram a partir da declaração de Lina Vieira sobre o encontro que disse ter tido com Dilma.
Terra - Então, são suposições?
Agripino - Suposições que precisam ser esclarecidas. A história é: A declaração de Lina nos deu margem para supor que a Receita estivesse sendo usada com fins políticos para agasalhar o PMDB. Ou seja, uma coisa grande, do plano nacional. Se há disputa entre grupos na Receita, não nos interessa.
Terra - Já que se trata de uma questão política, o marido de Lina é ex-secretário do Ministério da Integração do FHC. Isto não levantaria suspeitas políticas sobre as acusações feitas por ela?
Agripino - Ele não tem conotação política nenhuma, isso foi lá atrás. Ele foi auxiliar de Fernando Bezerra, ex-ministro. O marido de Lina tinha vinculações pessoais com Bezerra. Não havia nenhuma conotação política, ele era uma figura apolítica e não tinha nenhuma vinculação político-partidária, ao que me consta.
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