O blog transcreve editorial do jornalista Marcos Aurélio de Sá, publicado na edição desta terça-feira(2), no JH Primeira Edição.
No editorial, Marcos se posiciona contra a demolição do Machadão, do Machadinho e do Centro Administrativo para dar lugar à arenda da copa do mundo de 2014, opinião com a qual o blog concorda plenamente.
Confira o que diz o jornalista:
Natal não precisa demolir coisa nenhuma para brilhar na Copa do Mundo de 2014
* A inclusão de Natal entre as 12 cidades brasileiros que serão palco dos jogos da Copa Mundial de Futebol de 2014 é notícia que deixa eufóricos dezenas de milhares de desportistas em nosso meio, ao mesmo tempo em que desperta em nossas classes política e empresarial a certeza de que, agora, se tornará mais fácil atrair grandes investimentos públicos/privados e apressar a conclusão das obras infraestruturais indispensáveis para o futuro sócio-econômico do Rio Grande do Norte, entre elas o novo aeroporto de São Gonçalo, obra monumental que se arrasta a passos de tartaruga desde o início da década passada.
* Mas essa boa notícia também provocará, a partir de hoje, discussões acaloradas e radicais -- e talvez até ações na Justiça -- em torno do mega-projeto apresentado pelas autoridades estaduais à FIFA (Federação Internacional de Futebol), o qual prevê a demolição pura e simples do Estádio Municipal João Claúdio de Vasconcelos Machado (o "Machadão"), do Ginásio de Esportes Humberto Nesi (o "Machadinho"), de todos os blocos de edifícios do Centro Administrativo do Estado, do Cartódromo Geraldo Melo e do "Papódromo" (o hoje inútil anfiteatro a céu aberto, construído para que o Papa João Paulo II rezasse uma missa quando de sua primeira visita a Natal, em 1991).
* É nesse enclave valorizado e estratégico do bairro de Lagoa Nova, situado às margens da rodovia BR-101 e da avenida Prudente de Morais (os dois principais corredores de tráfego da cidade), área com extensão de 42 hectares, que algumas autoridades sonham em construir -- com capital privado -- o estádio futurista "Arena das Dunas" e todo o complexo de edificações que dará suporte ao maior evento futebolístico do universo, num investimento de bilhões de dólares, sem sequer avaliar o tamanho do prejuízo decorrente das demolições.
* Não resta dúvida de que, na hora certa, surgirão de todos os lados reações contrárias a escolha desse local; e de que, certamente, pessoas e instituições inconformadas com a implosão de bens públicos tão valiosos, haverão não apenas de lançar protestos, mas recorrerão às últimas instâncias do judiciário para evitar o dano.
* Assim, para não afrontar a opinião pública, é mais do que recomendável que as autoridades governamentais, em comum acordo com dirigentes da FIFA e da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), comecem a convencer os grupos econômicos nacionais ou estrangeiros desejosos de participar dos investimentos, a encararem a necessidade de se buscar, com o máximo de urgência, alternativas de localização mais viáveis para o novo estádio e equipamentos urbanísticos complementares, evitando-se transtornos e possíveis embargos da obra quando o tempo já for insuficiente para contorná-los.
* Apenas a título de sugestão, ouso propor às autoridades e empresários interessados em levar avante o desafiador projeto de estruturar Natal para sediar a Copa que direcionem as atenções para o magnífico terreno de cerca de 250 hectares, às margens da avenida Roberto Freire, que durante décadas serviu de campo de treinamento e manobras do Exército Brasileiro e que hoje, com o crescimento da cidade ao seu redor, já não se presta a finalidade militar.
* Mais de cinco vezes maior do que o terreno ocupado pelo "Machadão" e pelo Centro Administrativo, a área margeada pela Roberto Freire em 2,2 quilômetros e, em alguns trechos, com mais de 1,5 quilômetro de fundos para o Parque das Dunas e para o Campus da UFRN, é praticamente plana, não está sujeita a alagamentos nem possui mata a preservar.
* No seu interior podem ser abertas pelo menos duas grandes avenidas paralelas, tão largas quanto a Roberto Freire, além de várias ruas transversais e uma autoestrada que se iniciaria na Via Costeira (passando na lateral do Centro de Convenções) e margearia as dunas até encontrar-se com as pistas da rodovia que circunda o Campus, criando-se assim nova opção de escoamento para o já quase caótico trânsito da zona Sul da cidade.
* Projetado para atender ao complexo desportivo/hoteleiro/turístico exigido pela Copa do Mundo e outros possíveis eventos nacionais e internacionais que Natal venha a atrair no futuro, o empreendimento poderá ser construído mediante a preservação de imensas áreas de bosques e jardins, instalando-se aí parques infantis, quadras poliesportivas, parque aquático de dimensões olímpicas e, sem exagero, até um autódromo capaz de atrair competições da Fórmula 1, tudo com a garantia de estacionamento para milhares e milhares de veículos e total facilidade de acesso para os habitantes de todos os bairros natalenses e até para quem viesse do interior ou de outros Estados.
* O fato do imóvel pertencer ao Exército Brasileiro não pode ser encarado como um complicador. Pelo contrário: como a conquista da Copa de 2014 pelo Brasil se constitui, inegavelmente, numa vitória do governo Lula, a Presidência da República certamente não titubearia em atender a uma reivindicação da classe política do Rio Grande do Norte no sentido de determinar que o Ministério da Defesa negocie uma forma de doar (ou permutar) o terreno ao patrimônio estadual ou municipal, já que isto contribuirá para o sucesso do evento em nosso meio e gerará benefícios sociais e econômicos para Natal.
* Em minha opinião, pensar em derrubar tantos prédios públicos que representaram investimentos tão pesados e que ainda se encontram em plenas condições de uso no bairro de Lagoa Nova, é pensar pequeno, é ser estróina, doidivanas, irresponsável com o dinheiro público... para dizer o mínimo.
* Se querem um novo Centro Administrativo que atenda tanto ao governo do Estado quanto à Prefeitura de Natal, que o construam também no terreno de Capim Macio, às margens da avenida Roberto Freire (ali há espaço de sobra); e que transformem o atual Centro Administrativo num Campus da UERN, ou em colégios, creches e hospitais. A população, pessimamente assistida nas áreas da educação e da saúde, só teria a agradecer.
No editorial, Marcos se posiciona contra a demolição do Machadão, do Machadinho e do Centro Administrativo para dar lugar à arenda da copa do mundo de 2014, opinião com a qual o blog concorda plenamente.
Confira o que diz o jornalista:
Natal não precisa demolir coisa nenhuma para brilhar na Copa do Mundo de 2014
* A inclusão de Natal entre as 12 cidades brasileiros que serão palco dos jogos da Copa Mundial de Futebol de 2014 é notícia que deixa eufóricos dezenas de milhares de desportistas em nosso meio, ao mesmo tempo em que desperta em nossas classes política e empresarial a certeza de que, agora, se tornará mais fácil atrair grandes investimentos públicos/privados e apressar a conclusão das obras infraestruturais indispensáveis para o futuro sócio-econômico do Rio Grande do Norte, entre elas o novo aeroporto de São Gonçalo, obra monumental que se arrasta a passos de tartaruga desde o início da década passada.
* Mas essa boa notícia também provocará, a partir de hoje, discussões acaloradas e radicais -- e talvez até ações na Justiça -- em torno do mega-projeto apresentado pelas autoridades estaduais à FIFA (Federação Internacional de Futebol), o qual prevê a demolição pura e simples do Estádio Municipal João Claúdio de Vasconcelos Machado (o "Machadão"), do Ginásio de Esportes Humberto Nesi (o "Machadinho"), de todos os blocos de edifícios do Centro Administrativo do Estado, do Cartódromo Geraldo Melo e do "Papódromo" (o hoje inútil anfiteatro a céu aberto, construído para que o Papa João Paulo II rezasse uma missa quando de sua primeira visita a Natal, em 1991).
* É nesse enclave valorizado e estratégico do bairro de Lagoa Nova, situado às margens da rodovia BR-101 e da avenida Prudente de Morais (os dois principais corredores de tráfego da cidade), área com extensão de 42 hectares, que algumas autoridades sonham em construir -- com capital privado -- o estádio futurista "Arena das Dunas" e todo o complexo de edificações que dará suporte ao maior evento futebolístico do universo, num investimento de bilhões de dólares, sem sequer avaliar o tamanho do prejuízo decorrente das demolições.
* Não resta dúvida de que, na hora certa, surgirão de todos os lados reações contrárias a escolha desse local; e de que, certamente, pessoas e instituições inconformadas com a implosão de bens públicos tão valiosos, haverão não apenas de lançar protestos, mas recorrerão às últimas instâncias do judiciário para evitar o dano.
* Assim, para não afrontar a opinião pública, é mais do que recomendável que as autoridades governamentais, em comum acordo com dirigentes da FIFA e da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), comecem a convencer os grupos econômicos nacionais ou estrangeiros desejosos de participar dos investimentos, a encararem a necessidade de se buscar, com o máximo de urgência, alternativas de localização mais viáveis para o novo estádio e equipamentos urbanísticos complementares, evitando-se transtornos e possíveis embargos da obra quando o tempo já for insuficiente para contorná-los.
* Apenas a título de sugestão, ouso propor às autoridades e empresários interessados em levar avante o desafiador projeto de estruturar Natal para sediar a Copa que direcionem as atenções para o magnífico terreno de cerca de 250 hectares, às margens da avenida Roberto Freire, que durante décadas serviu de campo de treinamento e manobras do Exército Brasileiro e que hoje, com o crescimento da cidade ao seu redor, já não se presta a finalidade militar.
* Mais de cinco vezes maior do que o terreno ocupado pelo "Machadão" e pelo Centro Administrativo, a área margeada pela Roberto Freire em 2,2 quilômetros e, em alguns trechos, com mais de 1,5 quilômetro de fundos para o Parque das Dunas e para o Campus da UFRN, é praticamente plana, não está sujeita a alagamentos nem possui mata a preservar.
* No seu interior podem ser abertas pelo menos duas grandes avenidas paralelas, tão largas quanto a Roberto Freire, além de várias ruas transversais e uma autoestrada que se iniciaria na Via Costeira (passando na lateral do Centro de Convenções) e margearia as dunas até encontrar-se com as pistas da rodovia que circunda o Campus, criando-se assim nova opção de escoamento para o já quase caótico trânsito da zona Sul da cidade.
* Projetado para atender ao complexo desportivo/hoteleiro/turístico exigido pela Copa do Mundo e outros possíveis eventos nacionais e internacionais que Natal venha a atrair no futuro, o empreendimento poderá ser construído mediante a preservação de imensas áreas de bosques e jardins, instalando-se aí parques infantis, quadras poliesportivas, parque aquático de dimensões olímpicas e, sem exagero, até um autódromo capaz de atrair competições da Fórmula 1, tudo com a garantia de estacionamento para milhares e milhares de veículos e total facilidade de acesso para os habitantes de todos os bairros natalenses e até para quem viesse do interior ou de outros Estados.
* O fato do imóvel pertencer ao Exército Brasileiro não pode ser encarado como um complicador. Pelo contrário: como a conquista da Copa de 2014 pelo Brasil se constitui, inegavelmente, numa vitória do governo Lula, a Presidência da República certamente não titubearia em atender a uma reivindicação da classe política do Rio Grande do Norte no sentido de determinar que o Ministério da Defesa negocie uma forma de doar (ou permutar) o terreno ao patrimônio estadual ou municipal, já que isto contribuirá para o sucesso do evento em nosso meio e gerará benefícios sociais e econômicos para Natal.
* Em minha opinião, pensar em derrubar tantos prédios públicos que representaram investimentos tão pesados e que ainda se encontram em plenas condições de uso no bairro de Lagoa Nova, é pensar pequeno, é ser estróina, doidivanas, irresponsável com o dinheiro público... para dizer o mínimo.
* Se querem um novo Centro Administrativo que atenda tanto ao governo do Estado quanto à Prefeitura de Natal, que o construam também no terreno de Capim Macio, às margens da avenida Roberto Freire (ali há espaço de sobra); e que transformem o atual Centro Administrativo num Campus da UERN, ou em colégios, creches e hospitais. A população, pessimamente assistida nas áreas da educação e da saúde, só teria a agradecer.



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