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13 de fev. de 2009

Ex-cabo torturado desabafa: "Não quero que um filho meu sirva nunca ao Exército"

Foto: Divulgação
Ex-cado do Exército, Alysson Brilhante, detalha
a tortura que sofreu no BEC de Caicó


A união pagará quase R$ 100 mil reais pela prática de tortura ocorrida no 1º Batalhão de Engenharia e Construção de Caicó – 1º BEC.

A decisão foi do Juiz Federal Antonio José de Carvalho Araújo, da 8ª Vara Federal do Estado.

Ele determinou a indenização de 200 salários mínimos, o equivalente a R$ 93 mil reais, a ser pago ao ex-cabo das Forças Armadas Alysson Brilhante, de 27 anos de idade. Ele reside em Mossoró e trabalha na Petrobrás.

O ex-cabo concedeu a seguinte entrevista ao blog de Robson Pires, que o nosso blog reproduz:

Blog – Quando foi que você entrou com essa ação contra o 1º BEC?
Alysson – No ano de 2006 após meu desligamento da unidade.

Blog – Como é que foi esse caso de tortura?
Alysson – Foi durante uma faxina na cantina pelo 2º Sargento Batista. Quando ele mandou a gente pagar flexão juntamente com mais 5 soldados. Aí ele agrediu a gente com cacetete de borracha.

Blog – Qual o nome do seu torturador?
Alysson – 2º Sargento Batista.

Blog – Foi ele quem lhe torturou?
Alysson – Exatamente. Ele foi quem mais agrediu.

Blog – Você tinha quantos anos quando serviu ao exército?
Alysson – Eu entrei no exército com 19 anos de idade.

Blog – E você ficou traumatizado com essa tortura?
Alysson – Com certeza. Eu não quero que um filho meu sirva nunca ao exército. Nunca. O Exército é feito hoje para Sargentos e Oficiais.

Blog – Como era o tipo de tortura. Dê mais detalhes…
Alysson – Além das torturas psicológicas havia as agressões. Eu cheguei até a “urinar sangue”.

Blog – A iniciativa da ação contra o Exército partiu de quem?
Alysson – Pela minha família. E por mim também, né? Quero deixar claro que o comando do batalhão naquela época não apoiou a ação das agressões contra a gente.

Blog – O acusado ainda está no 1º BEC?
Alysson – Ele ainda destaca no 1º BEC. Ele é filho de Caicó.

Blog – Você ficou com traumas psicológicos?
Alysson – Com certeza. Toda vez que eu passo perto de um batalhão ou vejo um soldado fardado eu me lembro da humilhação que eu passei.

Blog – Você é natural de onde?
Alysson – Sou natural de Mossoró e fui servir ao Exército ai em Caicó.

Blog – Você já recebeu o comunicado da indenização?
Alysson – Já. Mas, o Exército ainda tem 30 dias para recorrer.

Blog - Obrigado.
Alysson – Tá bom…

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