Fotos: Agência Senado
Lina Vieira falou para uma Comissão de Justiça repleta. Reafirmou o que dissera à Folha: foi, sim, convocada por Dilma Rousseff para uma reunião privada.No encontro, disse a ex-secretária da Receita, a ministra lhe pediu para apressar fiscalização do fisco sobre os negócios do “filho de Sarney”.
Em certos momentos, a ex-leoa foi inquirida com aspereza pelos senadores governistas. Queriam saber se ela dispunha de provas.
Na véspera, Lula desafiara Lina a apresentar a agenda. O repto do presidente foi convertido em pergunta.
Lina disse que a reunião não constou nem da agenda dela nem da de Dilma. “Não preciso de agenda para dizer a verdade”, tentou contemporizar.
A ex-secretária não se deixou afetar pela atmosfera inóspita. Na exposição inicial, disse que comparecia à comissão como “cidadã”.
Poliu a própria biografia: 33 anos “dedicados exclusivamente à administração tributária”, jamais teve “filiação partidária”.
“Não disputarei cargos eleitorais. Não vim a essa comissão com o propósito de fazer o jogo de A ou de B, de X ou de Y...”
“...Não tenho interesse em alimentar polêmicas, nem prejudicar ninguém. Tenho interesse apenas de preservar minha história de vida".
A sessão durou mais de seis horas. Antes que Lina começasse a falar, os senadores desperdiçaram duas horas com um debate etéreo.
Sobre Dilma, Lina disse não entender por que a ministra desmente o encontro que diz ter ocorrido.
"Eu não sou fantasma, eu tomei café, me serviram café. Certamente há registros de que eu estive lá".
Espremida, Lina mordeu. Classificou de “incabível” o pedido de Dilma. Mas soprou. Disse que não se sentiu pressionada pela ministra.
O próprio Judiciário, esclareceu, já determinara que a fiscalização dos Sarney fosse acelerada. Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, agarrou-se à deixa.
"O entendimento da doutora Lina foi de que não houve nenhum posicionamento de mérito...”
“...Em nenhum momento a senhora entendeu que era para abandonar o processo. Acho que o que houve foi um grande mal-entendido".
Lina sentiu-se compelida a morder de novo: "Não houve mal-entendido: o encontro ocorreu...”
“...Eu não entendi porque a ministra negou. Não tem sentido negar que o encontro aconteceu".
A ex-secretária deixou exposto o calcanhar quando lhe perguntaram se havia comunicado a alguém o encontro que mantivera com Dilma.
Não falou a ninguém. Nem ao marido. Muito menos ao seu superior hierárquico, o ministro Guido Mantega (Fazenda).
Curioso: a chefe do fisco é convocada para uma reunião com uma ministra estranha ao organograma da Fazenda. Dilma fala sobre um processo do fisco.
Foi à mesa um sobrenome vistoso: Sarney. E a funcionária não comunica nada a Mantega, seu chefe imediato. Ora, francamente.
Quebrados os ovos, restou uma omelete de dois ingredientes: a voz de Lina contra as negaças de Dilma.
A oposição tentará convocar Dilma. É improvável que consiga. Lina não conseguiu especificar nem mesmo a data do encontro.
Tucanos e ‘demos’ aproveitarão a clara, usarão a gema, sem desperdiçar as cascas. Ganharam imagens para levar à propaganda eleitoral do ano que vem.
Quanto à platéia, fica com as pulgas que lhe acomodaram no dorso da orelha: será a candidata de Lula uma mentirosa reincidente?
Questionada por Pedro Simon, Lina se dispôs a participar de uma acareação com Dilma. "Estou disposta a qualquer coisa que possa esclarecer". É pena que a tropa do governo não permita.
Fonte: Blog do Josias de Souza
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