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8 de nov. de 2011

Pesquisa da CNM revela que 84,4 dos municípios do País enfrentam problemas com crack e outras drogas

Foto: Divulgação
A Confederação Nacional dos Municípios(CNM) divulgou nesta segunda-feira(7) nova pesquisa feita com prefeitos de todos os Estados do País sobre a proliferação do crack e outras drogas.

Dos municípios contatados, 84,4% afirmaram que enfrentam problemas com a circulação de drogas em seu território e relataram as situações mais graves.

Na primeira pesquisa realizada pela CNM, em 2010, 98% dos pesquisados confirmaram a presença do crack.

Dentre os municípios pesquisados até o momento, 89,4% indicaram que enfrentam problemas com a circulação de drogas em seu território.

Somente 10,2% citaram que não enfrentam este tipo de problema e 0,4% não souberam informar.

As respostas indicam que o problema está presente na grande maioria dos municípios, conforme a pesquisa anterior da CNM.

Confira alguns resultados da pesquisa da Confederação Nacional dos Municípios:

Quanto à circulação da droga, 6,8% indicaram que o crack é a droga predominante, 22,9% indicaram que são outras drogas, e a grande maioria 68,7% indicaram que são ambas as drogas que circulam no seu município.

Cerca de 13,4% dos entrevistados não souberam responder a esta questão.

Quanto ao consumo 93,9% indicaram que existem problemas em seus municípios, somente 5,8% declararam não haver problemas e 0,3% não souberam responder a esta questão. Isso confirma que o problema do consumo está presente quase que na totalidade das cidades brasileiros.

O consumo do crack é um problema citado por 90,7% dos Municípios pesquisados e as outras drogas por 92,5% deles, em níveis diferentes. O que indica o quanto esta droga está presente em nossa sociedade.

 Abaixo os principais problemas relatados pelos municípios nas diversas áreas que envolvem a problemática específica em relação ao crack.

Saúde:

Atualmente a questão do consumo de drogas ultrapassa a barreira de um simples problema social, passando a ter desdobramentos em diversas áreas da sociedade e vem sendo tratada principalmente como uma questão de saúde pública.

Dentre as áreas mais afetadas pela dinâmica que o consumo de drogas apresenta,  a área da saúde apareceu em primeiro lugar com 63,7% das citações.

Segurança:

A segurança aparece como sendo a segunda maior área a apresentar problemas relacionados ao consumo e a circulação de drogas com 58,5% das citações.

Os principais problemas estão relacionados ao aumento de furtos, roubos, violência intrafamiliar e doméstica, assassinatos, vandalismo, bem como o aumento da violência no meio rural e urbano.

Existem ainda apontamentos em relação à falta de policiamento nessas áreas que apresentam maior vulnerabilidade.

Assistência social:

Esta é a terceira área a apresentar problemas demandados pelo consumo e circulação de drogas, 44,6% relatam problemas como a falta dos serviços da Proteção Social Básica prestado pelo Centro de referência da assistência social – CRAS, que trabalha na perspectiva da prevenção e do fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários desenvolvendo ações que podem contribuir para evitar o uso de drogas.

Os gestores municipais apontam que os problemas mais comuns relacionados ao consumo de crack e outras drogas fazem referência à falta de estrutura familiar.

O uso de drogas traz problemas como o abandono da vida familiar e social (trabalho e estudos), o que acarreta em uma dificuldade real de reinserção desses usuários à sua rede social.

Quando há o rompimento com a família é necessário também tratar os integrantes desse núcleo afetivo, pensando sempre em reestruturar o ambiente familiar e comunitário.

Educação:

Com 37,9% das citações a área da educação aparece em quarto lugar apresentando problemas relativos ao consumo e circulação de crack e outras drogas.

Dentre as queixas mais freqüentes, fica registrada a entrada dos jovens no universo do tráfico. Aqui é onde começa uma seqüência de atos que levam ao baixo rendimento, vandalismo, o envolvimento com gangues, a evasão escolar, o que acaba gerando conflitos que podem culminar em óbitos.

O que agrava ainda mais essa situação é a falta de capacitação para os profissionais da rede de educação, para que estes possam identificar sinais tanto de consumo como o envolvimento com o tráfico de drogas.

Outra questão abordada é em relação à inclusão do tema “drogas” no currículo ou mesmo na inserção do tema em matérias já existentes.

Por esta inexistência de capacitação aos professores, a lacuna do conhecimento em como abordar o assunto em sala de aula, sem ofender ou invadir o espaço do aluno dificulta ainda mais a questão.

Problemas comuns

Alguns problemas são frequentemente citados em todas as áreas pesquisadas, como a ausência de profissionais capacitados para atender a esse tipo de demanda, bem como ações de capacitação, ações de prevenção e a falta de verbas destinadas para a manutenção das equipes e dos centros de atenção que deveriam estar disponíveis aos usuários.

Os munícipes informam que o tráfico e o consumo de drogas ainda não são tratados como prioridade pelo Governo Federal, muito menos como questão de saúde pública.

Enquanto a abordagem em relação à questão não avançar no sentido da garantia de atenção integral ao usuário de drogas e sua reinserção na sociedade, a situação irá permanecer sem mudanças positivas.

A pesquisa completa pode ser conferida no site da CNM: www.cnm.org.br.

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