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9 de nov. de 2010

Câmara Municipal realiza audiência pública sobre a campanha salarial dos jornalistas do RN

Fotos: Assecom/Câmara
Depois da Assembléia Legislativa, a Câmara Municipal de Natal realizou audiência pública nesta segunda-feira(8) sobre a campanha salarial dos jornalistas do Rio Grande do Norte.

Evento contou com um número considerável de jornalistas e foi proposto pelo vereador George Câmara(PCdoB).
George ressaltou a disponibilidade da Câmara em promover o evento em horário noturno, quando normalmente não se realiza audiências.

“O presidente da Casa teve o entendimento que este é o momento de buscar melhoria para esta classe que diz respeito ao conjunto da sociedade. Dessa forma, o horário se justifica pela necessidade dos jornalistas se fazerem presentes após o fechamento das redações”, argumentou o vereador.

Piso é um dos menores do país

O Sindicato dos Jornalistas (Sindjorn) destaca que esta é uma luta não só por um salário mais digno, mas também pela valorização do profissional.

O piso salarial do jornalista no Rio Grande do Norte é um dos menores do país: R$ 900,00.

No Nordeste o maior salário é o de Alagoas, onde um jornalista ganha R$ 2.114,00. Na Paraiba, R$ 1.800,00.

A luta do Sindicato dos Jornalistas é para equiparar o salário do jornalista do RN aos outros estados nordestinos, apresentando uma proposta de piso salarial de R$ 1.500.
“Recebemos menos de dois salários mínimos. Este valor é um absurdo para quem precisa gastar para se informar, se especializar e sobreviver”, afirma Nelly Carlos(foto), presidente do Sindjorn.

Além da questão salarial, os jornalistas reivindicam ainda a permanência de conquistas históricas que estão sendo ameaçadas pelos empresários. Durante a segunda rodada sobre a campanha salarial dos jornalistas do RN, no dia 26 de outubro, foi apresentada uma contraproposta dos empresários composta por 31 cláusulas.

Entre as propostas das empresas estão acabar com o piso salarial do jornalista, anuênio e diárias; reajuste de 3,5% ao ano, se manter isenta de custos com advogados em casos de processo; conceder folga em um domingo do mês e manter o acordo dessas propostas válidas por dois anos.

“A categoria não vai aceitar calada essa condição subumana de trabalho. Hoje somos escravos da escrita e não conseguimos publicar uma linha sobre nossas reivindicações”, enfatiza Nelly Carlos.

O chefe do Departamento de Comunicação da UFRN, Adriano Cruz, explica que hoje a universidade tem cerca de 900 alunos nos cursos de comunicação.

“Estamos preocupados com o segmento da vida profissional desses estudantes. Repudiamos o salário de 900 reais e nos colocamos à disposição desta luta”, declara o professor.

Nova rodada de negociação

Nesta quarta-feira (10), às 10h, na sede do Sindjorn, acontece uma nova rodada de negociações com o empresariado.

Propostas da categoria apresentadas aos empresários

1) Correção e atualização dos salários de R$ 900,00 para R$ 1.500,00 repondo as perdas salariais dos últimos anos;

2) Criação de auxílio-alimentação (Cláusula 2) no valor de R$220,00;

3) Anuênio (Cláusula 10) a partir já do primeiro ano de trabalho;

4) Atualização monetária das Diárias;

5) Retorno do Delegado Sindical.

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