O senador José Sarney se defendeu nesta quarta-feira das acusações que o atingem há alguns meses, desde que assumiu a presidência do Senado Federal. Ele discursou no Plenário antes dos trabalhos do Conselho de Ética, que analisará as representações que foram protocoladas por seus opositores. Sarney voltou a afirmar, durante discurso que durou 50 minutos, que não vai deixar o cargo, e que todas as acusações são apenas atos para o "desestabilizar"."Vim hoje para expor tudo que fizemos e estamos fazendo no Senado, seguindo a linha das minhas administrações anteriores. Foi uma campanha para desestabilizar", disse.
Sarney garantiu também que suas amizades e suas convicções políticas não interferem em suas ações no Senado. "Tenho minhas amizades pessoais, sempre zelei por elas, e cumpro meu dever de amigo. Tenho minha posição política que adotei com coragem e convicção, de apoio ao governo Lula. Nem os amigos nem minhas convicções políticas fariam eu submeter o Senado a qualquer interesse pessoal. Isto, ao longo da minha vida, nunca me fez abandonar a firmeza quando necessária", complementou.
O presidente da Casa continuou seu discurso dizendo que de todas as acusações, nenhuma envolve irregularidades com dinheiro. "Nenhuma dessas acusações contra mim envolvem dinheiro ou atos ilícitos. Anulei todos os atos secretos, decisão que também foi aprovada pelo Plenário da Casa. Ninguém sabia desses atos. Assinaram e parece que fui eu quem fiz isso", argumentou.

"Fui presidente do Senado por quatro anos, e foi uma administração modernizadora. Aqui não se nomeia a um gabinete quem seja requisitado por um senador. Jamais chamei parentes para a minha assessoria".
No final de sua defesa, José Sarney disse que quer continuar para reencontrar a paz e a harmonia do Senado. "Não vou mudar. Meu apelo é para a volta da paz entre nós. Em meu último discurso, falei em vencer a injustiça pelo silêncio. Mas como dizia um grande estadista francês, é muito mais difícil lidar com o silêncio que com as palavras. Esse cargo não me acrescenta nada a não ser injustiça, decepções e trabalho. Tenho certeza que os senhores me ajudarão a reencontrar a harmonia na Casa".
JOSÉ SARNEY E SUAS DEFESAS
Ele negou que tenha participado de atos secretos para nomear namorado de neta
Sarney afirmou que a imprensa utilizou trechos de "conversas coloquiais entre familiares" para acusá-lo de favorecimento ao namorado da neta, contratado para trabalhar no Senado. Em referência à divulgação de conversas entre ele e o filho, Fernando Sarney, o senador frisou que não houve "nenhuma palavra sua sobre qualquer nomeação por ato secreto". Negou também que o recebimento de auxílio-moradia por parte de senadores se constitua uma ilegalidade, salientando ter pedido o estorno dos valores recebidos.
Afirmou que nunca teve funções administrativa na Fundação Sarney
Ele exibiu aos senadores trecho do estatuto da fundação que assegura ao instituidor da fundação, ele próprio, "delegar total ou parcialmente" seus poderes e também trecho de documento em que ele delega tais poderes por cinco anos ao presidente da fundação, José Carlos Souza e Silva. Segundo Sarney, esse instrumento vem sendo renovado a cada cinco anos. "Nunca tive nenhuma função administrativa da fundação", disse.
Se defendeu das acusações de nepotismo
Ele lê, um a um, os nomes que constam em representações contra ele, enviadas ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, e nega ter qualquer vínculo com qualquer dessas pessoas. Sarney admite parentesco com apenas duas dessas pessoas, mas salienta que elas foram contratadas por outros senadores, e não por ele.
Acusou senadores e mídia de jogarem toda a culpa para ele
Após afirmar que o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar não pode investigar representações baseadas somente "em recortes de jornais", o presidente do Senado, José Sarney, afirmou que a mídia e senadores esqueceram a crise administrativa do Senado Federal para se concentrar apenas em fazer acusações contra ele.
"Não se fala em crise administrativa. Ela sumiu e toda mídia e senadores a atribuem a mim. Nestes seis meses que fui presidente do Senado, só fiz corrigir erros e fazer medidas saneadoras", declarou.
Fonte: Portal do Sidney Rezende
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