Com o título “Celebridades de rádio e TV viram fenômeno eleitoral”, o jornal O Estado de S.Paulo, edição deste domingo(16), publica reportagem abordando a vantagem que os radialistas, apresentadores de televisão e artistas levam na disputa por cargos eletivos.“Tratados como celebridades pelos ouvintes e espectadores, os radialistas, apresentadores de televisão e artistas que resolvem entrar na vida pública são as meninas-dos-olhos de partidos políticos. Assim como os evangélicos, eles se transformaram em fenômeno eleitoral e passaram a ser assediados pelas cúpulas partidárias, que estão de olho no caminhão de votos que trazem consigo. Afinal, tanto evangélicos quanto radialistas, apresentadores de TV e artistas têm uma tribuna permanente para fazer suas campanhas”, diz a matéria.
Assistencialismo
A reportagem do Estadão ressalta a eleição de Micarla de Souza(PV) para a prefeitura de Natal, já que a deputada é uma das donas da TV Ponta Negra e sempre foi presença constante na telinha.
Para Antonio Augusto de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), os programas com caráter assistencialista são os principais responsáveis pela eleição de radialistas e apresentadores de TV.
Ele cita o caso da recém-eleita prefeita de Natal, Micarla de Sousa, que diariamente apresentava um programa na TV Ponta Negra.
“Com certeza essa eleição da Micarla tem um rescaldo do programa de seu pai, que tinha um caráter bem assistencialista”, diz Queiroz. Ele se refere ao ex-senador Carlos Alberto(já falecido), que foi apresentador de programas em rádios e na TV Ponta Negra.
Fora do ar por um ano
A matéria frisa ainda que o palanque eletrônico permanente dos radialistas e apresentadores de televisão tem causado mal-estar entre alguns políticos. Um dos mais incomodados é o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), que viu seu candidato à Prefeitura de Manaus, o atual prefeito Serafim Correa (PSB), ser derrotado pelo ex-governador Amazonino Mendes (PTB).
Para Virgílio, um dos motivos para a derrota de Serafim foi o fato de o vice de Amazonino ser o deputado Carlos Souza (PP), conhecido radialista na Amazônia.
“É um absurdo os radialistas ficarem fazendo campanha diariamente, durante os quatro anos que estão no mandato”, diz Virgílio, que também reclama do poderio dos donos de repetidoras de televisão nos Estados.
O líder tucano quer aprovar uma legislação que proíba os radialistas e apresentadores de televisão de fazer programas no ano que antecede as eleições. “Eles têm de ficar um ano fora do ar”, defende Virgílio.
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É evidente que Micarla de Souza não ganhou a eleição para a prefeitura de Natal só pelo fato de ter um canal de TV e de ter estado ao longo dos últimos anos apresentando programas na TV Ponta Negra. Micarla tem carisma, é populista e reuniu em torno de sua candidatura uma aliança forte que foi importante para sua vitória. E também há de se registrar os muitos problemas que povoaram a candidatura da deputada Fátima Bezerra, desde o seu nascedouro. Mas que a presença de Micarla na telinha da TV foi fundamental para sua vitória, isso foi. Como foi a eleição do apresentador Paulo Vagner, o vereador mais votado de Natal, com mais de 14 mil votos. Se Paulo não fosse apresentador de TV ele nem vulnerava.
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