O governo conseguiu concluir ontem a votação na Câmara da emenda constitucional que prorroga por quatro anos a liberdade para o Executivo aplicar suas receitas.
Foram 364 votos favoráveis, 61 contra e duas abstenções ao texto principal. Todas as emendas à proposta, que foram apresentadas pela oposição, foram rejeitadas.
A DRU (desvinculação de receitas da União), que permite que o governo gaste como quiser 20% de suas receitas, perde a validade em dezembro, por isso a base aliada corre para aprová-la antes do recesso parlamentar, que começa em 23 de dezembro.
A proposta ainda precisa ser analisada em dois turnos pelos senadores. Graças a um acordo com a oposição, o texto foi enviado ao Senado ontem mesmo.
O Planalto considera a extensão do prazo essencial, pois desbloqueará cerca de R$ 62,4 bilhões. O dinheiro, segundo o governo, deve contribuir para a meta do superávit primário de 2012, prevista em R$ 71,4 bilhões.
O governo também argumenta que o valor é necessário diante do cenário de crise econômica internacional.
Como forma de pressionar os deputados aliados, nas últimas semanas foram intensificados o ritmo de liberação de verbas parlamentares e a indicação de cargos do segundo escalão.
Na primeira votação, no último dia 9, a emenda também foi aprovada com facilidade, por 369 votos a 44. Por se tratar de emenda constitucional, ela deve ter ao menos 308 votos dos 513 deputados.
Criada em 1994 com o Plano Real, a DRU permite que se contorne o direcionamento obrigatório de parte dos recursos do orçamento.
DEM, PSDB e PPS argumentam que ela não é mais necessária.
Fonte: Folha de S. Paulo
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