Páginas

10 de jan. de 2011

Domício Arruda defende que Walfredo Gurgel atenda exclusivamente a casos de trauma

Em entrevista ao Diário de Natal, edição desta segunda-feira(9), o novo secretário de Saúde do Estado, médico Domício Arruda, afirma que o hospital Walfredo Gurgel deveria suspender todo o atendimento que não fosse trauma. “O Walfredo deveria atender exclusivamente trauma”, defende Domício.

Ele frisa também que o débito na Saúde do Estado chega a R$ 200 milhões. E aborda a denúncia de fraude no SUS.
Foto: Elisa Elsie

Confira trechos da entrevista de Domício Arruda(foto) ao DN:

DN - O que o senhor pretende fazer para minimizar ou solucionar as divergências da Sesap com as cooperativas médicas e de anestesiologistas, que vez ou outra paralisam suas atividades?

Secretário - Durante a solenidade de assinatura do termo de posse, a governadora lançou uma proposta muito simples: toda a dívida acumulada será paga ainda em janeiro. Metade no dia 20 e o restante até o final do mês. A cooperativa dos médicos aceitou prontamente a proposta. Não havia representante da cooperativa dos anestesiologistas, mas em contato anterior com o presidente MadsonVidal, ficamos acertados que, se houvesse uma data para o pagamento, eles voltariam. A proposta não era esperada pela categoria. Foi muito melhor do que a expectativa dos médicos. Agradou muito. E tem uma segunda fase que é honrar os pagamentos a partir de fevereiro. Existia um problema diferente com as cooperativas que era o final de contratos. Isso não vai mais acontecer porque a gente não vai ter preconceito com as cooperativas. A gente acha que as cooperativas são parceiras da Secretaria de Saúde.

DN - A Imprensa divulgou nos últimos dias que o débito na Secretaria de Saúde é algo em torno de R$ 180 milhões. O senhor tem conhecimento disso?

Secretário - Tomei conhecimento pela Imprensa. Isso deve ter sido informado pela equipe de transição, porque eu não participei dessa equipe e só aceitei o convite no dia 31 de dezembro. Então, só tomei conhecimento do débito dos prestadores que estavam com as atividades paralisadas que é algo em torno de R$ 8 milhões. Sei que o débito da saúde por informações da Secretaria de Planejamento é bem maior. O secretário anterior, George Antunes, falou que é algo em torno de R$ 200 milhões.

DN - Segundo informações de bastidores, ficamos sabendo de indícios de fraude no Sistema Único de Saúde (SUS). O senhor tem informações a esse respeito?

Secretário - Existe um valor que chegou à secretaria para investimentos em procedimentos de alta complexidade, cerca de R$ 30 milhões, e esse valor teria sido usado para pagamento de pessoal e outros pagamentos, inclusive de fornecedores. Esses recursos deveriam ter sido usados para cirurgias de alta complexidade, como cirurgias cardíacas e hemodiálise. O governo anterior disse que houve uma consulta jurídica e que era permitido usar esses recursos para outros fins, mas o governo que começa agora está contestando.

DN - Em relação aos hospitais regionais, o que o senhor pretende fazer para que eles passem realmente a funcionar como deveriam?

Secretário - Com relação aos hospitais regionais, só conheço o Deoclécio Marques, em Parnamirim, porque até semana passada eu operava lá. Estou no início do trabalho, formando a equipe, fazendo remanejamento e convocando colegas para trabalhar. Quando terminarmos vamos começar a trabalhar pelos hospitais de Natal, os hospitais regionais serão trabalhados na segunda etapa, mas o ritmo está tão intenso que acho que isso não vai demorar. Vamos analisar a gestão de todos para mudar, parcialmente em alguns e total em outros. Como tenho dito já sou secretário em tempo integral, dedicação exclusiva, apesar de médico. Deixei todas as minhas atividades como médico para me dedicar à saúde do Estado. Vou pessoalmente no processo de formação das equipes às regionais. Farei parte de uma equipe que estará em todas as regionais tão logo a gente resolva o problema aqui em Natal.

DN - O que será feito efetivamente nos hospitais regionais para desafogar os hospitais de Natal, como o Walfredo Gurgel e o Santa Catarina?

Secretário - Vamos reorganizar o sistema com o que tem. Temos déficit de pessoal, problemas com abastecimento. Até já disse em outra oportunidade que sou otimista e acho que as coisas vão melhorar, apesar de o orçamento para a saúde em 2011 ser 52% menor do que foi em 2010 para investimentos. Nós temos dinheiro para fazer a metade do que foi feito em 2010, mas a coisa não pode ficar assim. Nós vamos melhorar, temos um novo governo, temos o governo federal e a saúde é o problema nacional mais urgente na opinião da população, que é primeiro lugar em todas as regiões do país, inclusive em Natal.

DN - Como o senhor recebeu o convite para ser secretário de Saúde?

Secretário - Eu acho uma honra muito grande. Não consultei ninguém, nem pedi nenhum prazo porque já sabia que se eu fosse convidado sabia que aceitaria de imediato sem restrições, sem saber quanto ganha um secretário, sabendo que iria me dedicar somente a isso.

DN - Esses 33 anos de medicina e 28 no Walfredo Gurgel vão ajudar a gerir a saúde do Estado?

Secretário - A gerência existirá de qualquer forma. Pretendo fazer as coisas diferentes de modo que funcionem. O slogan da governadora Rosalba durante a campanha dizia: "Pra fazer acontecer". É isso que a gente quer.

DN - O que o senhor pretende fazer para melhorar o atendimento nos grandes hospitais?

Secretário - Trabalhei numa época em Mossoró em que não existia o Hospital Tarcísio Maia. Então, não conheço o hospital porque estava em construção. A primeira coisa que vou fazer é conhecer os hospitais. Já operei no hospital de Jucurutu, em Alexandria, fiz cirurgias em São José de Mipibu, mas não conheço, por exemplo, o hospital de Caicó. Vou lá conversar com os colegas e eu acho que é muito fácil eu entender o que os colegas vão me dizer, vou tentar estimular os colegas, vou querer que mais gente vá trabalhar lá.

DN - Como o senhor pretende minimizar e, quem sabe até, resolvera situação de superlotação no Hospital Walfredo Gurgel, maior pronto-socorro do Estado?

Secretário - Tem que melhorar tudo. O Walfredo deveria suspender todo atendimento que não fosse trauma. O Walfredo tem vocação para ser um hospital de trauma. O Walfredo Gurgel só será reconhecido por todos como um bom hospital quando no seu frontispício estiver escrito: "Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel - atendimento exclusivo ao trauma". Só deveria entrar para ser atendido quem viesse em ambulância do Samu ou de uma UPA que seja referência para aquele hospital. Mas por que a gente não faz isso? Porque nós temos a urgência clínica e não existe outra alternativa em Natal. O Hospital Santa Catarina faz menos do que o Walfredo e faz obstetrícia. A gente tem que se organizar melhor. O Sistema Único de Saúde (SUS) no papel é muito bom, mas falta conexão entre as unidades municipais, a universidade, os hospitais filantrópicos e a rede privada. O SUS permite isso. A gente quer fazer uma rede que funcione não como departamento distante. O governo do estado conseguiu 32 ambulâncias para serem encaminhadas a diversas cidades do interior, mas até o momento os veículos estão estacionados em um galpão há meses, sem ao menos terem sido emplacadas. Vamos emplacar e depois encaminhar para o destino de cada uma.

Nenhum comentário:

Postar um comentário