Solenidade contou com as presenças de senadores e deputados federais e outras lideranças políticas nacionais.
Vários senadores destacaram a importância de Tancredo para o país.
"Tancredo é o maior político contemporâneo do Brasil". A frase é do presidente do Senado, José Sarney, proferida na inauguração do busto do presidente Tancredo Neves no Salão Nobre do Senado.

A estátua ficará exposta ao lado dos bustos de Prudente de Morais (presidente da República entre 1894 e 1898); Afonso Arinos de Mello Franco (chanceler, senador e jurista); Ruy Barbosa (ministro da Fazenda, jurista, senador e diplomata); Joaquim Murtinho (ministro da Fazenda entre 1898 e 1992, senador, médico e engenheiro) e Nelson Carneiro (senador, presidente do Congresso Nacional).
Em seu discurso de homenagem ao político mineiro, Sarney afirmou que o Brasil deve a Tancredo a redemocratização sem traumas, graças à sua atuação conciliadora, voltada para o interesse de todos os brasileiros - e não para os interesses de grupos.
Rosalba - A senadora Rosalba Ciarlini disse que o ex-presidente da República marcou sua trajetória política pela "enorme capacidade de despertar esperança", citando como exemplo a mobilização popular pelas eleições diretas para presidente da República.

Ela lembrou também "a comovente união durante sua agonia e morte", em abril de 1985.
Rosalba afirmou que contra "a insidiosa perversidade" da ditadura miliar, Tancredo lançou a força de seu patriotismo e conseguiu construir uma aliança com as diferenças correntes políticas em busca da redemocratização.
“A melhor forma de homenagear o ex-presidente é assumir seu compromisso ético com a Nação”, disse Rosalba.
Aécio - O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, neto de Tancredo, destacou a coerência do avô, seu espírito conciliador, seu estilo de ouvir mais do que falar e sua intransigência em relação aos objetivos e aos princípios democráticos que permitissem hastear as bandeiras da paz.
“Tancredo era genuinamente um democrata. Era também, na sua essência, homem do Parlamento, especialmente atraído pelo debate das ideias. Acredito que foi justamente o exaustivo exercício do contraditório que adensou suas crenças na política como espaço para o diálogo, o entendimento e a construção dos necessários consensos em torno das grandes causas nacionais”, afirmou Aécio.

O governador mineiro recordou os episódios da história política brasileira protagonizados por Tancredo, como quando permaneceu ao lado do ex-presidente Getúlio Vargas; a defesa da posse do vice-presidente João Goulart; a recusa em votar no Marechal Castelo Branco na eleição indireta; e a solidariedade prestada ao ex-presidente Juscelino Kubitschek em seus depoimentos às autoridades militares e na hora do seu embarque rumo ao exílio.
Aécio disse que a ida ao colégio eleitoral "violentava a alma democrática de Tancredo", mas era o único caminho possível. Ele salientou que as primeiras palavras de Tancredo como presidente da República eleito foram: "Essa foi a última eleição indireta do país".
Cristovam - Para o senador Cristovam Buarque, Tancredo Neves é um exemplo para a juventude brasileira.

Para Cristovam, "Tancredo foi um exemplo de amor e apego às possibilidades da política, da qual os jovens hoje não querem saber; de habilidade e tolerância com todos aqueles com os quais convivia; e de persistência nos diversos cargos que ocupou durante sua carreira".
Além de ressaltar a importância do homenageado para a transição da ditadura militar para a democracia, na década de 1980, o senador também apontou "o compromisso e a sensibilidade de Tancredo em relação ao Nordeste, uma faceta da qual talvez poucos se lembrem".
Cristovam lembrou que o presidente recém-eleito apoiou, na época, a elaboração de um projeto de desenvolvimento alternativo para o Nordeste - a partir de uma sugestão sua.
Garibaldi – O senador Garibaldi Filho disse que a melhor forma de honrar a memória de Tancredo Neves é fazer a reforma política.
A democracia sonhada por Tancredo, segundo Garibaldi, só se tornará efetiva com uma "reforma política de verdade".
Ressalvando não pretender desmerecer os demais políticos, o senador manifestou sua convicção de que, se Tancredo Neves não tivesse morrido antes da posse na Presidência da República, teria feito a reforma política.
"O Brasil deve lutar para que o legado de Tancredo não pereça", frisou Garibaldi.
*Com informações da Agência Senado



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